
Exposição ”Delirar a Vida | Refazer o Mundo”, apresenta reflexão sobre diferentes maneiras de sentir e recriar o mundo
No Museu Nacional da República, exposição e programação de encontros apresentam a produção de cinco artistas em contextos de cuidado em saúde mental, aproximando arte e loucura para questionar estigmas e valorizar diferentes formas de expressão Evandro Câmara, Sol, Vanesa…
Exposição ”Delirar a Vida | Refazer o Mundo”, apresenta reflexão sobre diferentes maneiras de sentir e recriar o mundo
No Museu Nacional da República, exposição e programação de encontros apresentam a produção de cinco artistas em contextos de cuidado em saúde mental, aproximando arte e loucura para questionar estigmas e valorizar diferentes formas de expressão
Evandro Câmara, Sol, Vanesa Liberato, Igor Alves e Altair Algudás trazem de diferentes regiões brasileiras suas maneiras de transformar experiências em pintura, bordado, palavra e outras linguagens. Premiados entre 430 inscrições de todo o país, os artistas integram a segunda edição de Desalinhos e Costuras — Arte e Loucura, que acontece de 15 de setembro a 8 de novembro de 2026, no Museu Nacional da República. Com a exposição Delirar a Vida | Refazer o Mundo, sob curadoria de Tânia Rivera, a mostra reúne também rodas de conversa, cineclubes, performances e apresentações artísticas.
A abrangência da chamada nacional evidencia a diversidade de uma produção desenvolvida em contextos de cuidado em saúde mental. Diante desse universo, o desafio curatorial é construir aproximações entre linguagens, territórios e experiências sem apagar o que cada trajetória tem de singular. O encontro dessas obras convida o público a reconhecer seus autores para além dos diagnósticos e a perceber a criação artística como um campo de expressão, elaboração e participação na vida cultural.
É nessa intersecção entre arte e loucura que se situa a idealização de Desalinhos e Costuras. Proposta pela artista Yasmin Adorno, em parceria com os coletivos Bloco do Rivotrio, Maluco Voador e Cia Atravessa a Porta, a iniciativa nasce de práticas que, há mais de uma década, aproximam criação e saúde mental no Distrito Federal. São experiências nas quais fazer arte significa também construir vínculos, ocupar a cidade e abrir espaços para pessoas historicamente submetidas ao silenciamento e à exclusão.
Mais do que apresentar a arte como recurso terapêutico, a mostra reivindica o reconhecimento de uma produção com autoria, pesquisa e força expressiva. Nessa perspectiva, dialoga com o legado de Nise da Silveira, psiquiatra que valorizou a expressão criadora e o respeito à singularidade no cuidado em saúde mental, dando origem ao Museu de Imagens do Inconsciente. Esse diálogo ajuda a situar a proposta: acolher experiências sem reduzi-las a sintomas e reconhecer seus desdobramentos artísticos e culturais.
No trabalho dos três coletivos organizadores, essa relação ganha formas distintas e complementares. Desde 2011, o Bloco do Rivotrio leva às ruas de Brasília um carnaval comprometido com a convivência, a defesa de direitos e a luta antimanicomial. Já a música é o ponto de encontro do Maluco Voador, surgido em 2012 a partir de uma oficina vinculada ao CAPS II do Paranoá, em parceria com um ponto de cultura local. Também originada no CAPS II do Paranoá, em 2012, a Cia Atravessa a Porta desenvolve trabalhos de teatro, cinema e performance. Em comum, os três coletivos afirmam que o cuidado pode acontecer nas relações, na criação e na presença ativa na cidade.
Da convergência dessas experiências nasceu a primeira edição de Desalinhos e Costuras, realizada em 2023 no Espaço Cultural Renato Russo. Agora, a chegada ao Museu Nacional e a criação do Prêmio Desalinhos ampliam esse encontro, aproximando a atuação dos coletivos do Distrito Federal de iniciativas e artistas de outras regiões.
Entre os premiados, Evandro Câmara, de Porto Velho (RO), desenvolve uma pintura atravessada por experiências subjetivas e por sua trajetória às margens do Rio Madeira. Já Sol, de Porto Alegre (RS), articula artes visuais, performance, poesia e música em uma produção ligada ao ativismo antimanicomial e à defesa do protagonismo de pessoas usuárias da rede de saúde mental.
Do Distrito Federal, Vanesa Liberato, artista visual e poeta formada pela Universidade de Brasília, investiga relações entre memória, território e experiência, transitando pela pintura, pelo vídeo, pela performance e pela escrita. Em sua produção, vivências íntimas se aproximam de questões coletivas, dando forma a imagens e narrativas que convidam à reflexão sobre si e sobre o mundo.
Por sua vez, Igor Alves, de Belo Horizonte (MG), encontrou nas oficinas do Centro de Convivência Oeste um espaço de criação e tem no bordado o eixo central de sua pesquisa, que também percorre desenho, pintura e tapeçaria. Completa o grupo Altair Algudás, do Rio de Janeiro (RJ), escritor, poeta e dramaturgo cuja trajetória aproxima literatura, direitos humanos e luta antimanicomial, fazendo da palavra uma forma de elaborar experiências e refletir sobre desigualdades sociais.
Para ampliar o diálogo com essas produções, a programação prevê rodas de conversa com profissionais da rede de saúde mental, psicólogos, ativistas e artistas, além de performances e shows dos coletivos organizadores. Haverá ainda dois dias de cineclube, incluindo um encontro com Lula Wanderley, artista e referência da luta antimanicomial que trabalhou diretamente com Nise da Silveira.
A mostra contará também com programa educativo para visitantes espontâneos e grupos agendados, além de transporte em ônibus para serviços da Rede de Atenção Psicossocial e escolas públicas. A proposta é ampliar o acesso à exposição e às discussões que ela suscita, fazendo do museu um espaço de encontro entre diferentes públicos, formas de criação e experiências de vida.
Ao reunir essas experiências, Desalinhos e Costuras reverbera a luta antimanicomial que atravessa os trabalhos do Bloco do Rivotrio, do Maluco Voador e da Cia Atravessa a Porta: a defesa do cuidado em liberdade, da dignidade e do direito de participar da vida em sociedade. Em consonância com o legado de Nise da Silveira, os coletivos reconhecem na criação artística um caminho de expressão, vínculo e autonomia. Com fomento do FAC — Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, a exposição amplia essa perspectiva ao convidar o público a enxergar, para além dos diagnósticos, pessoas que criam, produzem cultura e têm suas próprias histórias para contar.
Serviço Desalinhos e Costuras — Arte e Loucura | 2ª edição Exposição: Delirar a Vida | Refazer o Mundo Curadoria: Tânia Rivera Artistas premiados: Evandro Câmara, Sol, Vanesa Liberato, Igor Alves e Altair Algudás Período: 15 de setembro a 8 de novembro de 2026 Local: Museu Nacional da República — Brasília/DF Mais informações: instagram.com/desalinhosecosturas realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal — FAC
Fonte: Território Comunicação
Publicado em
Texto produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela redação. Texto original de divulgação de Território Comunicação, reproduzido na íntegra. Resumo extraído do próprio texto.
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Redação
Autoria coletiva da redação do Expresso Candango. Os textos são produzidos com apoio de inteligência artificial a partir de fontes primárias identificadas em cada nota, como comunicados dos organizadores e páginas oficiais, e revisados antes de ir ao ar. A inteligência artificial não entrevista ninguém, e nenhum nome de jornalista é atribuído às notas.
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